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Crónica do Trigo #4 – Um Seminário com Rodolfo Vieira

Esta semana tive a oportunidade de assistir a um seminário de Jiu Jitsu com Rodolfo Vieira. Para quem está mais afastado das lides do Jiu Jitsu, Rodolfo é um competidor lendário, tetra campeão mundial e campeão do ADCC, tendo derrotado já alguns dos maiores nomes. Quando alcançou o ouro do  ADCC de 2015 (considerados por muitos os Jogos Olímpicos do Grappling, onde competem judocas, especialistas em Sumo, sambistas – praticantes da arte marcial Sambo -, campeões da UFC, etc.), decidiu pendurar o kimono e dedicar-se ao MMA, onde se estreou este ano, tendo conseguido uma finalização por estrangulamento logo no primeiro assalto.

Mas, curiosamente, desde então, começou a falar em competir novamente nas artes de submissão, e tem efetivamente semi-oficializado um combate numa promotora contra um dos atuais nomes de topo, numa promotora nova mas muito endinheirada. E  a questão, é precisamente essa. Rodolfo disse-me que o seu plano continua a ser dedicar-se ao MMA e fazer disso o seu ganha pão, mas que “infelizmente” agora tem de voltar ao Jiu Jitsu porque é isso que paga mais.

Pára tudo! Isto é uma mudança total de paradigma. Há não muitos anos, a malta do Jiu Jitsu desesperava a ver os seus grandes nomes e campeões a abandonarem a modalidade para irem procurar a fama, a glória e as riquezas no MMA.

Mas ultimamente, esta tendência inverteu-se, e cada vez mais vemos gente a regressar às suas origens. O motivo? O surgimento das lutas de submissão enquanto modo de entretenimento mediático. De nicho, é certo, mas rentável apesar de tudo. Do já mencionado ADCC, financiado pelos Emirados Árabes, ao ACB assente em petrodólares chechenos, ao Hollywoodesco EBI, começa a aparecer um circuito de grappling profissional que oferece, por um lado, pagamentos já comparáveis com as médias de entrada de MMA (não estamos a comparar, claro está, com campeões da UFC ou coisa parecida, mas até com atletas rankeados). A isto associa-se a possibilidade dos atletas poderem competir praticamente todas as semanas, mesmo normalmente após uma derrota, ao contrário do MMA, onde salvo honrosas exceções, uma derrota chega a implicar mais de um ano no estaleiro. Por fim, a verdade é que diga-se o que se disser, a opção de se fazer o que se gosta e receber o mesmo, sem ter de se preocupar com levar murros na cabeça, é sempre mais agradável do que a alternativa.

De facto, já são alguns dos nomes que se mudaram para o MMA, experimentaram, disseram “muito obrigado, isto não é para mim, adeus e bom dia” e regressaram ao Jiu jitsu. Seja como competidores de topo (por exemplo André Galvão) seja como instrutores igualmente de topo (como o caso de Marcelo Garcia). O próprio José Aldo recentemente voltou a vestir o kimono para uma competição, que apesar de não ser sequer comparável em termos monetários, demonstra que essa opção continua aí e presente na sua mente, e Chael Sonnen ainda este ano foi participar no ADCC antes de anunciar a sua presença no GP da Bellator. Com a insatisfação pública e mediática de alguns atletas com o que recebem das promotoras, especialmente tendo em conta o que têm de sofrer para chegar ao topo, poderá não ser muito surpreendente se começar eventualmente a acontecer uma migração para as lutas de submissão, seja enquanto carreira paralela, seja mesmo quanto a mudança definitiva de especialidade.

Diogo Trigo

Sobre o Autor

- Madeirense e fã do Clube Sport Marítimo, lidou com a síndrome de ser de uma ilha criando um podcast sobre MMA chamado Murro no Estômago. É também autor/administrador do site Ultimate Fight.

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