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Espaço do Fontes #17 – Burried To The Bones: A História de Jon Jones

27 de Fevereiro.

Foi este o dia em que oficialmente se confirmou aquilo que para alguns era já uma certeza: um dos maiores lutadores de sempre da UFC, Jon “Bones” Jones estava suspenso e com licença para lutar revogada pela CSAC (California State Athletic Comission), depois de falhar um teste – acusou Turinabol, um esteroide anabolizante proibido –  realizado antes da sua luta com Daniel Cormier, no UFC 214.

A noticia veio com choque, mas sem surpresa. Afinal, este era apenas mais um capitulo, porventura o final, numa história que começou há longo tempo e que acabou por ter quase tantos altos como baixos.

Jon Jones, o maior lutador de sempre ou Jon Jones, o maior fiasco de sempre?

A resposta estará na mente de cada um.

A história é a que se segue.

Nascido em Nova York, mais concretamente em Rochester, a 19 de Julho de 1987, filho de uma enfermeira e de um pastor de uma igreja Pentecostal, Jones cedo viu a tragédia assolar a sua vida familiar, com a morte da irmã mais velha, Carmen ainda não tinha feito 18 anos.

Foi para o Desporto que tanto ele como os irmãos, Arthur e Chandler se viraram, todos com enorme sucesso: o primeiro e mais velho foi quinta escolha no Draft de 2010 da NFL; já o segundo e caçula da família passou por equipas de nomeada como os New England Patriots.

Já Jon seguiu os passos do pai no Wrestling, tendo sido campeão Estadual pela Union Endicott High School em 2005 e posteriormente campeão Nacional Junior representando a Iowa Central Community College.

O inicio no MMA deu-se no dia em que soube que a paixão de sempre estava gravida da sua filha Leah.

Na altura, Jones trabalhava como porteiro mas não fazia nem perto do dinheiro suficiente para suportar condignamente a sua recém-criada família.

Estávamos em 2008 e o Mundo começava a aperceber-se de que o MMA poderia ser uma modalidade de milhões.

Foi a segurança dessa perceção que o fez apresentar-se no Bomb Squad Training Facility com uma ideia em mente: queria ser lutador profissional.

Treinou e em poucas semanas estava no octógono.

Apesar de não ter qualquer formação anterior em submissões ou striking, Jones ganhou.

Não um, não dois, três, quatro ou cinco combates seguidos, mas seis!

Seis vitórias no espaço de 3 meses!

Era claramente um predestinado e o “scouting” da UFC percebeu isso também: em Agosto desse mesmo ano estreava-se frente a André Gusmão, no UFC 87.

Não obstante o tempo de preparação para a luta ter sido de apenas duas semanas – substituiu o anunciado Tomaz Drwal – no final, o braço levantado foi o seu.

O destaque não esteve, no entanto, apenas na vitória.

Nada disso. O Nova Yorquino apresentou ao universo UFC uma miríade de golpes inovadores que o fizeram ficar debaixo do olho de todos aqueles que seguiam a Organização.

Seguiram-se Stefan Bonnar e Jake O’Brien e mais duas vitórias.

Este caminho apenas seria interrompido em Dezembro de 2009, com uma Desqualificação por cotoveladas frente a Matt Hamill.

Na altura ninguém o sabia, mas quem assistiu a essa luta, presenciou algo histórico: a única derrota de Jon Jones em toda a carreira.

Para os menos atentos, esta é a verdade incontestável: desde o dia em que começou a lutar MMA até Julho de 2017, data do seu ultimo combate, perfez-se um período de quase 10 anos.

Quase 10 anos e uma derrota. É este o percurso quase imaculado de um dos maiores Campeões de sempre.

Mas íamos em Matt Hamill, não era?

Pois bem, foi a partir daí que o Mundo ficou a conhecer verdadeiramente Jon “Bones” Jones.

Depois de vitórias sobre Brandon Vera e Ryan Bader, tornar-se-ia o mais jovem campeão de sempre, com 23 anos, após derrotar Maurício “Shogun” Rua.

As defesas que se seguiram são, ainda hoje consideradas históricas: Quinton Jackson, Lyoto Machida, Rashad Evans, Vítor Belfort, Chael Sonnen, Alexander Gustafsson e Glover Teixeira.

Toda esta galeria de notáveis foi derrotada em sequência por Jones, numa das mais impressionantes “streaks” da história.

A perda do Titulo viria “in a Jon Jones way”: não no octógono, onde ganhou a Daniel Cormier mas por problemas com a justiça por demais conhecidos.

Voltaria para vencer o Cinturão Interino a Ovince St Preux … mas Jones é Jones e o resultado de um teste anti-doping posterior viria a destitui-lo do Titulo.

E assim chegamos á atualidade.

O Nova Yorquino fez nova tentativa pelo Cinturão, voltou a ganhar a Cormier… mas outro teste falhado foi a gota de água.

Desta vez não foi apenas o Título.

A própria licença de lutador profissional foi revogada.

Neste momento Jon Jones não pode competir.

E apenas por culpa sua…

É assim o Americano: provavelmente o mais excitante lutador de MMA que o Mundo conheceu mas também um dos mais problemáticos.

E não são apenas as vitórias que o dizem.

Quem viu “Bones” lutar não esquece aqueles “spinning back elbows” que só ele sabe fazer; os pontapés pouco ortodoxos, mas verdadeiramente espetaculares ou os seus “takedowns” explosivos.

Não sei se algum dia voltaremos a ver o verdadeiro Jon Jones.

O que sei é que lhe agradeço por todos os momentos inigualáveis que nos deu.

A memoria é dos atributos mais nobres que a vida nos pode dar.

Neste momento seria fácil esquecer Jones.

E se o atleta não o merece, o Homem ainda menos.

Até porque provavelmente, a resposta dele seria nocautear alguém no seu regresso e voltar a tornar-se Campeão…

Até para a semana… e boas lutas!

João Fontes

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