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Espaço do Fontes #18 – Das Ruas A Budapeste: Um Conto De Verdade E Superação

Chegou a ser apontado como uma das maiores esperanças da UFC e de todo MMA mundial, estávamos nos idos de 2006.

Bastaram, no entanto, duas derrotas para que, três anos depois da estreia, estivesse de saída da maior Promotora do Mundo, dizia-se para procurar uma carreira de ator.

O seu nome é Roger “El Matador” Huerta … e está de volta aos grandes palcos: no próximo dia 06 de Abril, o Californiano será – aos 34 anos –  juntamente com outro grande nome, Benson Henderson, o “main event” do Bellator 196, que terá lugar na capital Húngara, Budapeste.

A Promotora Norte Americana já produziu enormes combates, mas este será, sem margem para duvidas, um dos que estará a gerar maior espectativa desde há longo tempo.

Estará Huerta ainda á altura do desafio? Há quem aposte que não.

Já este vosso autor não retira ao Americano um milímetro de possibilidades que seja.

Quem, como Huerta, passou pelo que passou, estará á altura de qualquer desafio!

A história deste Californiano é afinal, um conto de perseverança e superação das dificuldades.

E  é contada de seguida.

Roger Huerta nasceu a 20 de Maio de 1983 em Los Angeles, no Estado da California.

Filho de Lydia e Rogelio Huerta, acabou por passar os primeiros 6 anos da sua vida no Texas: o pai envolveu-se com drogas pesadas, separou-se e iniciou uma outra relação.

Roger ficou com mãe.

Não adivinharia, no entanto, o que o esperava: como resultado da separação, Lydia tornou-se uma mãe abusiva, não sendo raros os espancamentos com que brindava o filho.

Foram muitas as vezes em que Huerta apareceu na escola com nodoas negras a cobrirem-lhe quase todo o corpo.

Tantas que rapidamente chamaram a atenção dos Child Protetive Services, que o colocaram numa casa de acolhimento, longe da progenitora.

Esta, logo depois perdeu a custodia de Roger em tribunal.

E seria aqui que o tormento iria aumentar para Huerta.

Adotando por esta altura um comportamento completamente instável, Lydia fugiu com o filho para a casa dos seus pais… noutro Pais, El Salvador.

O que de inicio poderia parecer uma decisão motivada pelo Amor, cedo revelou ser mais uma consequência de uma personalidade psicótica: logo depois de ter chegado ao País Centro-Americano, a mãe de Huerta abandonou-o, deixando-o ao cuidado dos avós.

Estávamos no final dos anos oitenta, em plena Guerra Civil Salvadorenha.

El Salvador estava a ferro e fogo.

O pequeno Roger conseguiu, no entanto, ir sobrevivendo, nas ruas e com a ajuda dos familiares que o acolheram.

Um ano passou e Lydia voltou.

Mas não seria para ficar com ele: voaram de volta para o Texas e a mãe deixou-o á porta da casa do pai, Rogelio.

De seguida, desapareceu.

E esta foi a última vez em que o Americano viu a sua mãe.

A vida não melhorou para Roger.

Pelo contrário.

Quem acompanhou a sua carreira sabe que já por várias vezes, falou abertamente acerca do abuso físico e mental que sofreu ás mãos do seu pai e da madrasta neste ano que viveu com eles.

Totalmente negligenciado e maltratado, iria de seguida viver para o México, desta vez para casa dos avós paternos.

Apesar de boas pessoas, viviam em total miséria.

Roger passava os dias nas ruas, a vender o que podia aos turistas que por ali passavam.

O pai e a madrasta, entretanto, voltaram.

Durante um breve período foi viver com eles para Rio Grande Valley e começou aí a frequentar pela primeira vez a escola.

Foi no entanto sol de pouca dura: aos 12 anos viu o pai sair de casa e ficou a viver com a madrasta.

Que pouco tempo depois o expulsaria a ele.

Altura de voltar para as ruas.

As de San Antonio, Texas.

De forma permanente.

Huerta dormia por esta altura em becos, telhados ou dentro de bidões.

Não foi por isso surpresa que pouco tempo depois fosse recrutado por um gang, um dos mais perigosos de todo o Texas, os Tri-City Bombers.

Seria, no entanto, por esta altura que a sua vida começaria a alterar-se.

Para poder ter onde fazer as suas refeições, Roger deixou-se ficar pela escola.

Aqui começou a fazer alguns amigos verdadeiros que acabaram por transmitir a sua situação a uma antiga amiga da mãe, Maria King.

Percebendo que estava á frente de um rapaz que se queria agarrar á vida, Maria obteve custódia legal de Huerta e foi viver para Austin com ele.

E a sua vida mudou.

Pela primeira vez num ambiente estável, Roger desflorou: acabou por ser um dos mais populares rapazes do seu liceu, o David Crockett High Scholl e estrela das equipas de Futebol e Wrestling.

Foi aí que conheceu Jo Ramirez, a sua professora de Inglês e já mãe de 7 filhos: depois de saber a sua história de vida, adotou-o legalmente como seu oitavo, em 2002, tinha Huerta 19 anos.

Bryan Ahsford, outro dos seus professores, guiou-o na procura das suas aptidões académicas que culminaram com a frequência do Bacharelato em Business Management na Augsburg University, em Minneapolis, no Minnesota.

Ficou a faltar um ano a Huerta para o terminar.

Antes de entrar no mundo do MMA, Roger acabaria ainda por trabalhar como porteiro e até na construção civil.

As Artes Marciais Mistas falaram, no entanto, mais alto e uma carreira ao mais alto nível levou-o a ser considerado, ainda hoje, um dos grandes nomes da modalidade.

No dia 06 de Abril de 2018, Roger Huerta irá voltar.

O rapaz que viveu na rua, comeu do lixo e foi destruído física e psicologicamente por quem mais o deveria amar, não vergou.

A capital Húngara será o palco da redenção final.

Muitos estão, no entanto, a apostar contra ele.

O meu conselho a todas a essas pessoas é simples: revejam essas apostas.

Huerta foi das ruas a Budapeste.

Porque não ir de Budapeste até ao Titulo Lightweight da Bellator?

 

Até para a semana… e boas lutas!

João Fontes

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