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Espaço do Fontes #6 – Ngannou, O Príncipe De Batié

Para inicio das festividades Natalícias, não poderíamos ter sido presentados com melhor: o UFC 218 foi mesmo um card cheio de acção, com pelo menos duas lutas de cortar a respiração – Yancy Medeiros v Alex Oliveira ia já a noite a meio, seguido de um brutal confronto entre Eddie Alvarez e Justin Gaethje – e ainda um main event com um terceiro “round “onde pudemos perceber em pleno porque razão Max Holloway é neste momento considerado sem discussão o melhor Peso-Pena do Planeta.

Nesta noite pejada de estrelas, alguém quis, no entanto, brilhar ainda com maior intensidade.

Esse homem foi Francis Ngannou.

Com presença em 5 Fight Nights nos últimos dois anos – frente a Luís Henrique, Curtis Blaydes, Bojan Mihajlovic, Anthony Hamilton e Andrei Arlovsky – vencendo todas elas e nunca precisando sequer de passar do segundo assalto para finalizar os seus adversários por KO, TKO ou Submissão, o “ Príncipe de Batié “ tinha no sempre fiável Alistair Overeem o seu desafio final para finalmente conseguir mostrar ao Mundo aquilo que o próprio sabe há muito : sentar-se no trono da divisão, como Rei dos Heavyweights é, mais do que uma questão de tempo, o seu destino. E Ngannou irá cumpri-lo.

O que são afinal alguns minutos dentro de uma “Cage “para alguém que, quando chegou a França, não tinha sequer onde dormir (o Camaronês chegou mesmo a ser sem-abrigo nas ruas de Paris) e que desde tenra idade se habituou ás dificuldades como qualquer um de nós se habitua a respirar ou a comer? Ngannou não tinha, no entanto o que comer.

Não fosse aquela tarde em que se dirigiu com curiosidade a um ginásio Parisiense chamado MMA Factory – que chegou mesmo a ser a sua casa por não ter outra onde ficar – onde conheceu aquele que continua a ser o seu Treinador de sempre, Fernan Lopez e a história que hoje contamos poderia ser outra. Com outro final. E bem mais trágico.

“Fast forward “para 02 de Dezembro de 2017. Naquela noite em Detroit, no Estado do Michigan, Francis Ngannou , “ o Príncipe de Biaté “ deverá ter recordado a sua aldeia nos Camarões.

A mãe, para quem sempre enviou dinheiro desde que começou a carreira que agora o consagra.

E tudo aquilo por que passou até ali chegar.

1:43 segundos e um punho de esquerda depois, saia da Litlle Caesers Arena como Candidato Principal ao Titulo de Pesos-Pesados da UFC, a maior organização do Mundo de MMA.

No final, num momento que era só seu, a primeira palavra lembrou os irmãos Africanos escravizados na Líbia.

Porque Ngannou é isto: tão simples e consequente no octógono como na vida.

Todos temos a aprender com ele.

 

Até para a semana…. e boas lutas!!

 

João Fontes

 

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