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Previsão Murro no Estômago #15 – UFC 217

Um ano depois do UFC 205, a 12 de Novembro de 2016, em que Conor McGregor venceu o seu segundo título na UFC, a maior promotora do Mundo de MMA regressa à Madinson Square Garden, uma das arenas mais conhecidas do Mundo, com um dos regressos mais esperados do ano, com uma das melhores rivalidades do ano e com a melhor lutadora feminina de MMA de sempre, que poderá empatar com Ronda Rousey em defesas de título bem sucedidas.

Johny Hendricks (18-7) Vs Paulo Borrachinha (10-0) – Divisão de Middleweight

A noite começa com um combate entre um ex campeão welterweight, que passou por diversos problemas de peso nesta divisão, e uma das promessas da divisão e diria um futuro campeão da divisão.

Hendricks, subiu para a divisão devido a diversos problemas que teve com os cortes de peso para a divisão abaixo, desde então conquistou uma vitória sobre Hector Lombard e uma derrota Tim Boetsch, voltando a falhar na balança. O último adversário de Georges St-Pierre antes de ele se retirar, tem vindo numa fase descendente, para este combate foi treinar com a JacksonWink MMA e vamos ver se estes conseguem motiva-lo o suficiente para estar à altura para este desafio. Hendriks é um wrestler foi bicampeão da Divisão I da NCAA, tendo uma forte capacidade para derrubar os seus adversários, mas falta-lhe qualidade depois para trabalhar no chão. Em pé, é um lutador que evoluiu principalmente ao nível do kickboxing, tendo como principal destaque os low kicks e a sua mão esquerda. Nesta divisão, parece um lutador mais solto, mas o principal problema é o comprometimento de Hendricks com o MMA e vai enfrentar aqui um lutador maior que ele e altamente motivado.

Borrachinha, um grande atleta, ex participante do TUF Brasil 3 e ex campeão nesta divisão, em duas promotoras regionais do Brasil. Este será o seu terceiro combate na UFC e enfrentará o adversário com maior reputação, que já enfrentou até hoje. Borrachinha, em apenas uma luta  o deixou os seus adversários passarem primeiro round. É um finalizador, é um lutador intenso e pressionante, não gosta de dar muito espaço aos seus adversários e é um lutador dificil de derrubar tendo em conta a sua estatura. Pode ter duas questões que ainda não foram testadas, e poderão ser neste combate, o cardio, para perceber se tem capacidade para aguentar os 3 rounds dado que o seu estilo de luta torna-se cansativo e a luta no chão, perceber se a nacionalidade significa que tem um jiu jitsu apurado no chão.

Aposta: Borrachinha, Borrachinha, Borrachinha!

Stephen Thompson (13-1-1) Vs Jorge Masvidal (32-12) – Divisão de Welterweight

O menino bonito da UFC, que desiludiu nas duas disputas pelo título, defronta um dos lutadores mais perigosos da UFC, mas que foi vulgarizado por Demian Maia.

Thompson, vem de dois combates muito maus contra Tyron Woodley, o primeiro empatou, o segundo perdeu, em combates muito semelhantes em termos de animação. Thompson vai ter de reconstruir o seu caminho para voltar a ter uma oportunidade pelo título e nada melhor para começar que um dos principais adversários nesta corrida. O “Wonderboy” é um faixa preta em Karaté e é ex campeão mundial de kickboxing, o que faz de si um striker perigoso e dificil de prever, entre os seus jabs que poderão sair a qualquer momento e os pontapés a qualquer nível, Thompson é um dos melhores e mais completos lutadores “em pé” da UFC. O seu grappling não é forte e tenta evitar ao máximo dar razões aos seus adversários, para eles o derrubarem, como vimos nos combates com Woodley, no entanto isso não será um problema porque o que Masvidal quer é slugfest.

Masvidal, começou por participar no torneio inaugural do título de peso leve do Bellator, depois disputou na mesma categoria o título da Strikeforce e desde que chegou à UFC, faltou-lhe alguma estabilidade. Atingiu-a nesta categoria de peso, conseguindo 3 vitórias consecutivas até ser parado pelo jiu jitsu de topo de Demian Maia. Masvidal é um lutador guerreiro com um striking perigoso e certeiro, capaz de deixar mesmo um campeão de kickboxing como Thompson. A valentia é outra das características positivas de Masvidal, no entanto falta-lhe muitas vezes a técnica e a inteligência de luta. No grappling ofensivo é intenso, consegue aplicar boas quedas e poderá tornar-se perigoso no chão, contra lutadores menos cotados nesta vertente, como é o caso do adversário que vai encontrar. Defensivamente, falta-lhe muita coisa, a sua bravura, torna-o um lutador altamente exposto, facilitando o trabalho a um lutador com a inteligência de Thompson.

Aposta: Numa situação normal ou anormal, o Thompson é favorito, mas cuidado com Masvidal.

Joanna Jedrzejczyk (14-0) Vs Rose Namajunas (7-3) – Divisão feminina de Strawweight

A melhor campeã feminina de sempre da UFC e uma das lutadoras que ficará na História do MMA Mundial, defronta uma lutadora que se reinventou para construir o seu caminho para chegar a este palco.

Joanna, limpou a divisão toda, começou com Carla Esparza, para conquistar o título, passou por Jessica Penne, Velérie Letourneau, que agora está no Bellator, Cláudia Gadelha, na final do TUF pela segunda vez , Karolina Kowalkiewicz e Jéssica Andrade. 6 vezes campeã mundial e 4 vezes campeã europeia de Muay Thai, o que faz de si uma striker apuradíssima, capaz de estar constantemente ao ataque para marcando as suas adversária, mas inteligente o suficiente para aguardar “fugir” e contra atacar. Rápida, inteligente, explosiva e bastante movimentada defensivamente, consegue evitar com enorme facilidade os golpes das suas adversárias, Joanna vulgariza a concorrência. Podia-se achar com isto tudo, a lutadora é perfeita, mas ainda não se percebeu se uma adversária a obrigar a estar muito tempo no chão, qual seria a sua resposta, no entanto tem um wrestling defensivo de qualidade o que dificulta as suas adversárias a leva-la para o chão.

Rose, a “Thug” tem menos experiência quando comparada com a polaca, andou pela Invicta, onde venceu 2 combates e perdeu um contra Tecia Torres, depois entrou no TUF 20, que determinou a primeira campeã feminina da divisão strawweight, em que atingiu a final e foi derrotada por Carla Esparza. Voltou para trás da fila e isso fez-lhe ganhar força, venceu Angela Hill, ex campeã de Strawweight da Invicta, Paige VanZant, ambas por submissão e no seu rematch com Tecia Torres conseguiu uma decisão unânime. Foi parada novamente por Kowalkiewicz e recuperou novamente o caminho das vitórias com Michelle Waterson, que foi também sujeita a uma submissão de Namajunas. Faixa preta de Karaté e Taekwondo, tem algumas semelhanças com Joanna, movimenta-se bem, é muito certeira no striking, gosta de acelerar as suas lutas para impor um ritmo alto às adversárias, mas também ainda não enfrentou ninguém com o nível de striking de Joanna, porque não existe na divisão. Adiciona ao seu jogo movimentado, em pé, um jogo de chão bastante evoluído, apenas uma vitória não foi por submissão, sendo agressiva e inteligente, tendo uma faixa roxa de jiu jitsu.

Aposta: A “thug” Rose vai ter muitas dificuldades em bater o autocarro Joanna, portanto a minha aposta vai para a Polaca

Cody Garbrandt (11-0) Vs TJ Dillashaw (15-3) – Divisão de Bantamweight

Segunda luta da noite, e para mim o main event, uma história bem construída, sem qualquer influência da UFC, dois amigos que se separam e se tornam inimigos, faltou a UFC, mais recentemente, relembrar a história, porque eles foram os treinadores do TUF 25 e o confronto esteve marcado para o UFC 213, mas por lesão de Cody, a luta foi cancelada.

Cody, invicto e sem medo do confronto, ganhou o título no penúltimo dia de 2016, contra o “super campeão”, Dominick Cruz, em que demonstrou ser um lutador muito mais completo do que se imaginava. Cody vai ser, sem dúvida nenhuma, a próxima grande estrela da UFC, está tudo lá, as qualidades ao microfone, o querer confrontar de forma agressiva os seus adversários e por fim, o mais importante, a qualidade dentro da cage. Garbrandt é um striker de origem e um finalizador nato, apenas uma luta não acabou em KO, tem um jogo de pernas rápido, o que o beneficia defensivamente e ofensivamente, movimenta bem a cabeça para evitar os contra ataques e depois usa os jabs e os pontapés, de forma fluída, certeira e consequentemente perigosa para os seus adversários. Ao longo do tempo, melhorou o wrestling, dada a influência das pessoas da Team Alpha Male, no entanto ainda não foi testado no chão.

TJ, “Snake on the grass” fez uma coisa normalíssima, que foi ir para outro ginásio treinar, quando a pessoa com quem ele se dava melhor saiu da Team Alpha Male. Cody transformou isso numa traição e fez questão demonstra-lo em todos os momentos de construção da luta, no TUF, nas conferências de imprensa e sempre que foi entrevistado, fazendo de TJ o “mauzão” da história. TJ já teve o título e saiu da equipa de Urijah Faber antes de perder para Dominick Cruz, no entanto não deixa de ser um dos melhores e mais completos lutadores da divisão de Bantamweight. TJ é um lutador semelhante a Dominick Cruz, é um striker de movimentação rápida, com um jogo de pernas rápido, com potência nos seus jabs e nos seus pontapés. “Killashaw” não simplesmente um striker, é um wrestler que faz excelentes transições “chão-pé”, em que depois tenta procurar o ground and pound para colocar os seus adversários KO. Se for para esta luta como Cruz foi, desvalorizando o striker que é Cody, vai ter muitas dificuldas, se alternar o striking com o wrestling tem boas possibilidades de vencer este combate.

Aposta: O coração diz Cody, a razão diz TJ, aqui vou pela razão.

Michael Bisping (31-7) Vs Georges St-Pierre (25-2) – Divisão de Middleweight

O retorno mais esperado do ano, a par com o de Jon Jones, pensou-se que a paragem ia ser curta, mas não foi, 3 anos e St-Pierre regressa na divisão acima da que se notabilizou e contra um adversário que nos últimos anos tem vivido um conto de fadas e que poderá ter aqui, um capitulo final.

Bisping, andou sempre no top 15 da divisão de peso médio, mas pensou-se que nunca chegaria ao título, foi o vencedor do TUF 3 e andou sempre no limbo da divisão, vencia lutadores medianos e perdia com as principais estrelas. Tudo mudou com uma vitória em Londres, contra Anderson Silva, polémica, mas venceu um Anderson Silva que é um dos melhores lutadores de sempre do MMA, que regressava da suspensão do controlo antidoping da USADA. Após vencer Silva, agarrou uma oportunidade para disputar o título num rematch contra Rockhold e acabou por deixar o americano KO e foi uma das surpresas do ano, em 2016. Entretanto, tem fugido da concorrência da divisão como “foge o diabo da cruz”, primeiro foi o quase reformado Henderson, para vingar uma das derrotas mais marcantes da sua carreira, que se reformou após o combate e agora entrou nesta luta para fazer o dinheiro da sua vida e para se poder retirar em grande. Bispingo lutador com mais vitórias e mais tempo no octógono da UFC, é um striker versátil, com um kickboxing muito técnico, veloz, de movimentação intensa e de alto volume de golpes, mas também possui um wrestling que merece respeito e depois trabalha bem os seus adversários no chão, mas está longe de ter a qualidade do seu adversário.

St-Pierre, entrou com 22 anos na UFC no longínquo UFC 46 e foi necessário apenas dois combates para lutar pelo título da UFC, na divisão de welterweight, que pertencia ao Hall of Fame da UFC Matt Hughes. Parou, voltou ao Canadá, e entrou novamente na UFC, conquistando 5 vitórias consecutivas e conseguiu conquistar pela primeira vez o título num rematch contra Hughes, Na primeira defesa de título falhou e voltou a repensar e começou a sua parceria com a Tristar Gym de Firas Zahabi e nos dois combates seguintes venceu Koscheck e Hughes, voltando a conquistar o título na terceira vitória consecutiva contra Matt Serra e foi aí que conseguiu a melhor sequência, na altura, de defesas de título bem sucedidas, tornando-se um dos melhores lutadores de sempre do MMA. Carlos Condit, Nick Diaz e Johny Hendricks, foram as últimas guerras de St-Pierre e percebendo que estava a ter mais dificuldades para vencer e que estas guerras lhe podiam tirar parte do seu bem estar, resolveu afastar-se, nunca disse que seria definitivo, mas conforme o tempo foi passando, pensou-se que seria mesmo definitivo. Volta agora, por dinheiro, pelo seu “legado”, pelas saudades, pelo desporto, não interessa, St-Pierre quando saiu era a maior estrela do MMA Mundial, a UFC no ano seguinte à sua saída, não conseguiu que nenhum PPV ultrapassasse os 500.000 assinantes e regressa agora contra um adversário que está ao seu alcance. Poderia ter voltado na mesma categoria, mas acho que ele quer este teste, para depois perceber se tem capacidade para fazer mais. St-Pierre é sinónimo de desportista, um atleta completo, 8 vitórias por KO, 5 por submissão e 12 por decisão, um ginasta com um excelente porte físico, que tem no wrestling a sua principal força, pressionante, muito inteligente no trabalho que realiza no chão. No striking é dos lutadores com mais golpes bem conetados na história da UFC e é muito inteligente a defender-se dos adversários mas demonstrou muita resistência em combates, como com Carlos Condit. No entanto, o MMA mudou, entrou a USADA, sem querer acusa-lo de nada, a modalidade mudou e a concorrência é diferente, mas Bisping, na minha opinião, é alcançável pelo velho St-Pierre.

Aposta: St-Pierre é mais completo, que apesar da desvantagem na estatura e com os quatro anos fora, e portanto vai vencer.

Sobre o Autor

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Criador do Podcast Murro no Estômago e gosta de auto apelidar-se Analista, mas no fundo é só o Freitas Lobo do MMA

1 Comentário

  1. Ramiro - há 1 mês

    Foi bom!

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